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quarta-feira, 21 de maio de 2008

Dali e os símbolos do inconsciente



Segundo os estudos efectuados por Sigmund Freud o homem, e o seu inconsciente, é “povoado” por pulsões, maioritariamente sexuais. Contudo, nem todas essas pulsões conseguem escapar ao controlo da censura. Para que isso aconteça, já que o objecto da pulsão irá ser redireccionado, é feito o recurso a símbolos, que mascaram o verdadeiro significado destas pulsões (pode-se falar em dessexualização, ou seja, quando a energia das pulsões é canalizada para a arte literatura, etc., estas deixam de possuir “objectivos sexuais”). Recorre-se assim, e como forma de “expressão” destas pulsões, a formas que irão ser aceites socialmente. As manifestações artísticas acabam por revelar o recalcado, sendo utilizadas de forma inconsciente para a libertação das pulsões sexuais que assolam o homem (contudo, a sublimação possui as suas “falhas”, mesmo libertando o homem de determinadas pulsões, o sofrimento não está ausente deste processo, já que não se tem uma satisfação directa dos desejos recalcados).

Neste sentido, são muitas as obras que possuem, e se encontram, repletas de símbolos carregados de significados, que provêm das pulsões do próprio artista. Podendo-se referir o pintor Salvador Dali e os seus quadros pejados de símbolos do inconsciente (apesar deste ser um pintor com uma particularidade, uma excepção, já que tendo sido extremamente influenciado por Freud e pela Psicanálise, acaba por utilizar estes símbolos de forma consciente e não inconsciente e, provavelmente, acabam por ter significados diferentes dos habituais nos sonhos). Temos assim como exemplos, o símbolo do nascimento representado pela água, visível em obras como: “A pesca do atum”, “Hércules levantando a pele do mar pede a Vénus para esperar um instante antes de acordar o amor”, “Estudo para «Eu próprio aos 6 anos...»” e “Composição surrealista com figuras invisíveis”. Os bichos repugnantes, de que fala Freud estão presentes, por exemplo, nos seguintes quadros “Capa para a revista «Minotauro»”, “Mulher com cabeça de rosas”, “O grande masturbador” e “O enigma de Hitler”. Os símbolos que segundo Freud representam o órgão sexual masculino, como peixes, caules, ramos, árvores, chapéus-de-chuva, estão presentes em múltiplos quadros como “A pesca do atum”, “O enigma de Hitler”, “Três esfinges de biquíni”, “Figura e pano numa paisagem” e “O eco do vazio”. Os que representam, para a psicanálise, o órgão sexual feminino, cavernas, vasos, garrafas, caixas de todos os feitios, cofres, cofres com jóias, baús, sacos, flores, janelas, portas, encontram-se por exemplo em quadros como: “Sem título - natureza morta com lírios”, “O gabinete antropomórfico”, “Figura com gavetas”, “Nascimento dos desejos líquidos”, “Espanha” e “Os vinhos de gala e do divino”.

As obras de Salvador Dali evidenciam, contudo, a presença de muitos outros símbolos, como é o caso dos relógios, dos ovos, do telefone, de canecas. No caso dos ovos, estes representam a origem, o nascimento, uma nova vida. Os relógios, como instrumento de medição do tempo, representam a passagem deste. Por último, o telefone representa a comunicação, o discurso com quem nos rodeia.

Publicado por Gonçalo Silva a 21 de Maio de 2008 (aluno da turma 12.º D)

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